MT, 23/10/17

Governo arrecada R$ 12,13 bilhões com leilão de 4 usinas hidrelétricas

GLOBO.COM

Todas as usinas foram vendidas por valor 9,73% acima do lance inicial; grupo chinês levou usina de São Simão, o maior negócio, por R$ 7,18 bilhões. O governo federal arrecadou R$ 12,13 bilhões com o leilão de quatro usinas hidrelétricas realizado nesta quarta-feira (27), em São Paulo. Todas as usinas foram vendidas e o valor arrecadado foi 9,73% acima do esperado pelo governo, de R$ 11 bilhões. Foram vendidas quatro usinas hidrelétricas que hoje são operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), mas que estão com as concessões vencidas: Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande. Juntas, elas têm capacidade de gerar 2.922 MegaWatts (MW) de energia. O dinheiro pago pelas empresas vai ajudar o governo federal a bater a meta fiscal, que prevê um déficit de R$ 159 bilhões em 2017. O valor da outorga entra como uma receita extraordinária para o governo. Outorga é um montante pago pela empresa ao governo pelo direito de explorar um bem público.       Resultado   O maior negócio ficou com investidores chineses, que levaram a concessão da usina de São Simão por R$ 7,18 bilhões, um ágio de 6,51% sobre o lance inicial. A Pacific Hydro, do grupo chinês State Power Investment (Spic), foi a única a fazer proposta pela usina. A empresa já atua no Brasil desde 2007 e tem parques eólicos na região Nordeste. A companhia informou, em nota, que está atenta à aquisição de ativos de geração de energia no Brasil, especialmente eólica e hidrelétrica. Adriana Waltrick, presidente da Pacific Hydro Brasil e representante do grupo SPIC no país, disse que a empresa continuará investindo em geração renovável e que pode participar de novos leilões. "Temos interesse em expandir no país, então sim, vamos estudar os próximos leilões", afirmou a jornalistas. Já a Engie, que é a antiga GDF Suez, arrematou a usina de Jaguara por R$ 2,171 bilhões e a de Miranda por R$ 1,36 bilhão, ágio de 22,42%. "A gente acredita que o leilão é irreversível", disse Gustavo Labanca, diretor de desenvolvimento de negócios da Engie Brasil, quando questionado sobre a possibilidade de a Cemig continuar brigando na Justiça para manter as concessões arrematadas hoje pela empresa. Ele afirmou que não é possível garantir tarifas baixas, mas que o preço contratado no mercado regulado no regime de quotas é "bastante atrativo" para o consumidor. "Esse leilão é híbrido, 70% está alocado no regime de quotas, a uma tarifa mais baixa, e os outros 30% o investidor, que somos nós, está correndo o risco de comercializar no mercado livre. E aí tem oscilação de preço, tem questões hidrológicas, tem fatores que a gente pode ter sucesso ou não", explicou aos jornalistas. Para o secretário de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, o ágio do leilão "permite comemorar o sucesso do processo". "Se o ágio for muito alto significa que erramos na mão ao definir um preço muito baixo". Além das vencedoras, também participou do leilão a Aliança Energia, que é uma joint venture (sociedade) da Cemig com a Vale. Apesar de estar inscrito e presente no leilão, o grupo não apresentou qualquer proposta pelas usinas hidrelétricas. Até a noite de terça-feira (27), a empresa mineira tentou evitar que suas usinas fossem relicitadas. As quatro usinas vendidas pertencem atualmente à Cemig, mas as concessões estão vencidas.   Romeu Rufino, diretor da Aneel, diz que leilão tem segurança jurídica, apesar da possibilidade de a Cemig ainda recorrer (Foto: Taís Laporta/G1)   Segurança jurídica   Para o diretor-geral da Aneel, Romeo Rufino, o leilão tem segurança jurídica, apesar da possibilidade de a Cemig ainda recorrer das decisões judiciais que negaram o cancelamento do leilão. Pedrosa, do ministério de Energia, disse que o ágio em todos os processos demonstra que a percepção de risco jurídico do leilão "não é significativa".   "A resposta está dada pela presença dos investidores que fizeram propostas de valores significativos", afirmou Pedrosa.    

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